Aproveitando que falei de livros épicos na edição anterior desta revista virtual, fica oportuno citar o filme "Gladiador" de Ridley Scot. Além dos elementos evidentes, que é o que chama a atenção de cara ao filme, o ponto onde quero chegar é justamente o conceito de Roma apresentado neste filme.
Sem dúvida nenhuma, se alguém parar para se perguntar sobre a imagem que temos da Roma antiga, provavelmente virá a cabeça os épicos antigos de Hollywood, virá a cabeça "Calígula" (E com certeza nem será a versão do clássico de Albert Camus), "Cleópatra" (aquele com Elisabeth Taylor), "Ben-Hur", os filmes sobre a vida de Cristo, "Rei dos Reis" por exemplo, "O Manto Sagrado", "Samsão e Dalila", e "Spartacus", talvez alguém ainda se lembre do atual "Asterix contra César" (aproveitando o texto do Key). É essa a imagem que nos foi passada de Roma, um Império que se apoiava em seu poderio militar, cujos líderes colocavam seus caprichos particulares acima dos interesses reais do estado, mais ou menos como é hoje, só que com poderes absolutos.
A diferença do gladiador para estes filmes que acabo de citar é que, eles falam sobre o ideal romano, falam que o império não era somente uma máquina de guerra com fins puramente de dominação, mas sim uma idéia, uma luz nas trevas que era a selvageria da época. O filme em questão se passa num período de decadência de valores, onde a corrupção já se apossava do senado e da maioria dos governantes de Roma, o imperador Marcus Aurélius convivia com isso mas não compactuava, por isso buscava alguém que não estivesse contaminado com o ambiente político da capital.
 
Se analisarmos a história, veremos que Roma buscou toda a inspiração no ideal Grego, o conceito de sociedade, de estado, de religião, de filosofia, arquitetura, artes, etc. Só que colocaram em prática num grande território, aquilo que os gregos só conseguiram em suas cidades-estado. O que movia os romanos era o mesmo sentimento, se é que pode se chamar assim, de Alexandre Magno, quando visitou Atenas e viu com seus próprios olhos o modelo de civilização dos gregos, tão avançado que hoje nem chegamos perto. Chega a ser infantil achar que todos os líderes deste Império, principalmente no período de formação, foram pessoas como Nero e Calígula.
Os motivos para que tenhamos hoje esta imagem é que no final de sua história, a qual é a que mais influenciou em nossa formação, foi a época de Cristo, período de ampla decadência do Império, decadência esta que se deve justamente pela perda de valores por parte do principal elemento de uma civilização, seus líderes, os indivíduos e a cultura. Como tudo que nasce, cresce e se desenvolve, um dia entra em decadência e morre. Outro motivo é a velha questão de que a história é sempre contada pelos vencedores, como neste caso, com o fim do império romano a sociedade era liderada pela igreja católica, é mais do que óbvio que sejam depreciados aos olhos do povo todas as tradições greco-romanas, bem como muito da cultura 
  dos diversos povos do passado, e começou um dos, se não foi o pior, período da humanidade, a Idade das Trevas, ou Idade Média. Se alguém duvida ou quiser saber mais sobre a influência de Roma no mundo, procure um livro muito raro, se achar compre porque é raro mesmo, cujo nome é "O Legado de Roma", livro sobre uma tese de pós-graduação da universidade de Oxford, dificilmente haverá uma edição em português, somente em espanhol ou inglês. Se não achar este livro, procure saber sobre o movimento cultural artístico que ficou conhecido como Renascimento, cujos principais representantes são Leonardo Da Vinci, Miquelângelo e outros.
Mas voltando a falar do filme em questão, este recebeu algumas críticas por se utilizar de personagens reais dentro de uma história que não correspondeu com os fatos do passado. Para quem não sabe, o imperador Marcus Aurélius, e seus filhos Commodus e Lucilla realmente existiram. O primeiro é tido pela história como um dos cinco bons imperadores de Roma, porém que preparou seu filho Commodus para lhe suceder. Este, de fato tomou o lugar de seu pai, mas segundo algumas fontes históricas oficiais sem recorrer de assassinato, entretanto, ficou conhecido pelo seu egocentrismo exacerbado, pois se achava um novo Hércules, chegou a mudar o nome de Roma para o seu próprio, e também a combater gladiadores em pleno coliseu, foi morto
  Enquanto se banhava, por um personagem cuja ocupação, as fontes históricas divergem, uns dizem que era um gladiador, chamado Narciso. Ludilla conspirou junto ao senado contra o imperador, mas foi detida, exilada e assassinada. Daí vem as críticas a Ridley Scott, o diretor, que alterou o roteiro do filme algumas vezes, para dar mais dramaticidade ao filme. O protagonista por exemplo, na versão original do roteiro se chamaria Narciso, Mas voltando a se referir ao cinema, o sucesso deste épico, projeto rodado para catapultar um retorno de filmes épicos, cujo investimento dos grandes estúdios se devem em parte ao sucesso comercial de Titanic, por incrível que pareça, pode, quem sabe, mudar a opinião pública sobre certos pontos-de-vista, assim como aconteceu com os índios norte-americanos, que na época de John Waine eram sempre os vilões, ou como aconteceu com os Ets, que depois de Steven Spielberg, passaram a ser os salvadores da humanidade.  
 

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